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"Tenho um dragão que mora comigo. Não, isso não é verdade. Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo." - Caio Fernando Abreu.

Código do theme. (CLICA)




Crie gato, cachorro, periquito, hamster, mas não crie expectativas.


“Sossega-te, pequena. Pare de caminhar tanto de um lugar para o outro. Pare de entregar tanto teu coração, não espalhe-o no meio da estrada. Não cria esse desgosto de coração-ficado. Aprende de uma vez por todas que por mais que o abraço de alguém de alguma dessas esquinas esquente esse teu coração frio, ele é temporário e, assim que ele acabar, seja o vento ou seja a vida faz esse teu coração-ficado voltar a ser gélido.” (desesperançoso)